<$BlogRSDUrl$>

quinta-feira, novembro 13, 2003


Enquete 

A Folha Online está fazendo uma enquete sobre a gafe de Lula na África. Para participar, clique aqui.




quarta-feira, novembro 12, 2003


Erra pouco, mas erra 

Dulci diz que governo Lula "erra pouco"



Publicado na Folha Online em 10/11/2003, às 21h08.

O ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) afirmou hoje que a gestão Lula tem "errado pouco", mas que, quando isso acontece, o governo reconhece os erros e os corrige. Ele se referia ao caso do recadastramento dos aposentados do INSS com mais de 90 anos, fato que causou constrangimentos.
"Comparando com outros governos, temos errado pouco, mas, quando erramos, reconhecemos, sem nenhum tipo de constrangimento, e corrigimos o erro. O ministro Berzoini [Ricardo Berzoini, da pasta da Previdência] reconheceu que existia o erro e corrigiu", disse Dulci, que negou haver inexperiência no governo petista.
Sobre a gafe cometida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Namíbia, na semana passada, quando o presidente disse que Windhoek nem parecia uma cidade africana por ser "limpa e bonita arquitetonicamente", Dulci minimizou o episódio.
"A intenção do presidente, pelo que eu pude perceber, foi elogiar a cidade muito bonita que ele encontrou", afirmou o ministro, que é um dos responsáveis por preparar os discursos do presidente em solenidades em que Lula participa.
"A viagem do presidente à África teve resultados muito bons", disse ele, acrescentando: "Essa viagem teve um alto significado histórico, cultural, porque, durante décadas, os governos brasileiros viraram as costas para a África, e metade da população brasileira é de origem africana. Então, a viagem do presidente Lula à África cumpriu o seu objetivo e deve ser motivo de orgulho para os brasileiros".

Lula pede que Cristovam encontre solução para excepcionais.



Publicado no Estadão Online em 12/11/2003, às 00h04.

O governo anunciou que encontrará, até sexta-feira, uma solução para garantir o repasse de R$ 8,7 milhões às entidades sem fim lucrativos que tratam de excepcionais. O ministro da Educação, Cristovam Buarque, contou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "lamenta muito" e está "angustiado até" por ter vetado projeto que previa repasses do Fundef, o fundo de desenvolvmento do ensino fundamental, a um "programa que beneficia aqueles que tanto precisam que são os portadores de deficiência". Mas, esclareceu, a lei proíbe transferir dinheiro do Fundef a entidades privadas.

O presidente Lula fez questão de se justificar e evitar novo desgate da imagem do governo, trincada com o escândalo da suspensão de pagamento de aposentadorias aos velhos com mais de 90 anos, sem prévio aviso. O veto neste caso era obrigatório. Mas, para sustentar o veto, o presidente usou argumento do Ministério da Fazenda de que a aprovação do projeto comprometeria "todo o ajuste fiscal perseguido no processo de regularização das contas públicas do País".




segunda-feira, novembro 10, 2003


A GAFE #8 (no exterior) A Gaffe in Africa 

Obs.: Divulgado pela Reuters e publicado pelo Yahoo News em 10/11/2003, às 10h51.


WINDHOEK, Namibia (Reuters) - Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva's efforts to befriend Africa hit a jarring note when he praised Namibia's capital city as being so clean it didn't seem African.

Lula, who presents himself as a champion of the world's poor, was speaking Friday in Windhoek on the fourth leg of an African tour.

"I'm surprised because if you arrive in Windhoek, it doesn't seem like you're in an African country. Few cities of the world are so clean and beautiful as Windhoek," said Lula, flanked by Namibian President, Sam Nujoma, as he said farewell to the country.

Lula's African tour has taken him to Sao Tome and Principe, Angola and Mozambique. He is also to visit South Africa.



A GAFE #7 (no exterior) Brazilians upset by Lula's 'clean SA' remark 

Obs.: Publicado no IOL (http://www.iol.co.za/), um grupo de mídia da África do Sul, em 9/11/2003, às 9h27.

Brazilian President Lula da Silva has upset blacks at home with his remarks that South Africa is much cleaner and more beautiful than the other African countries he has just visited.

Da Silva left South Africa on Saturday after talks with President Thabo Mbeki at the end of an Africa tour which also took him to Sao Tome and Principe, Angola, Mozambique and Namibia.

At a joint press conference with Mbeki in Pretoria on Saturday, a Brazilian journalist asked Lula to comment on his remarks which she said had been strongly criticised by black groups back in Brazil.

Da Silva was unrepentant, telling the journalist "you followed me around Africa and saw the difference". He suggested his critics come to Africa and see the difference among African countries - because "maybe they will not criticise me any more."

'You followed me around Africa and saw the difference'

But he also said his remarks had been misunderstood. What he meant was that some countries had managed to maintain peace for longer, giving them the opportunity to rebuild. Few countries had had the good fortune of a Mandela to take over the country after such a long period of oppression of blacks, he said.

Da Silva said on his first visit to South Africa in 1994, before he became president, he had been struck most by the fact that where there was a black cabinet minister, there was a white deputy and vice versa. That kind of policy making had allowed the country to advance much further than others, he said.

Da Silva confirmed that Brazil - the current holders of the soccer World Cup - would support South Africa's current bid to host the 2010 cup. "On one condition, that you don't expect us to lose," he quipped.

Asked if he would reciprocate by supporting Brazil's bid for a permanent seat on the United Nations Security Council, Mbeki demurred, saying that Latin American countries had agreed they should get a permanent seat on an expanded council.

But it was up to the Latin American countries to decide which country should get the seat, Mbeki said. He added that if Brazil were represented permanently on the council, it would make it more representative and better able to respond to the needs of the countries of the South.

'On one condition, that you don't expect us to lose'

South Africa and Brazil signed two formal agreements yesterday; one to avoid double taxation between the two countries and another to boost scientific and technical co-operation between them.

The presidents expressed the unacceptability of developing countries being subjected to protectionist measures by developed countries and said they would expand their co-operation to advance the interests of the developing world, especially in international trade negotiations and on the India/Brazil/South Africa Forum (Ibsa) signed in June.

They also agreed to increase co-operation in defence and measures to combat health epidemics such as HIV and Aids, waterborne diseases, malaria and dengue.



A GAFE #5 • Lula diz que deixa África com a alma limpa  

Obs.: Notícia publicada pela Folha Online em 08/11/2003, às 14h15.

Depois de sete dias de viagem pela continente africano, onde visitou cinco países desde o último sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que deixa a África com a "alma mais limpa e a sensação do dever cumprido".
Lula garantiu que conseguiu colocar em prática a promessa de campanha de intensificar as relações do Brasil com a África. "Fiquei muito feliz quando o nosso embaixador nos comunicou que, em 11 meses de governo, vieram mais ministros e personalidades brasileiras que nos últimos quatro anos que me antecederam", afirmou.
O presidente ressaltou que o governo brasileiro está fazendo o que acreditava "antes, durante e depois" da campanha eleitoral no campo internacional. E prometeu que vai continuar com o trabalho de aproximar do Brasil mercados importantes para a economia do país, como a Índia, a China e a Rússia.
"Nesse mundo em que os países já têm suas cartas marcadas e o domínio das coisas importantes que valem no mercado, é extremamente saudável, e política e economicamente correto, que juntemos todos os países que têm similaridade e, juntos, procuremos estabelecer ação para fazer valer os interesses dos países em desenvolvimento", ressaltou.

Gafe

Em resposta aos comentários de que teria cometido ontem uma gafe ao dizer que Windhoek, capital da Namíbia, era tão limpa e bonita que nem parecia a África, o presidente afirmou não ter dito nada de mais: "Constatei o óbvio", disse em entrevista.
"Nem tudo que nós falamos é entendido do jeito que nós gostaríamos que fosse entendido pelas pessoas. Vocês [jornalistas brasileiros] estiveram comigo na viagem. Vocês viram a diferença de cada cidade, de cada rua. Eu constatei apenas o óbvio", defendeu-se.
"Acho que as pessoas que me criticam, em vez de teorizar, deveriam fazer uma visita pela África para ver as diferenças dentro dos países. Aí quem sabe eles não dirão mais nada", afirmou o presidente sobre as críticas que recebeu da oposição e de movimentos negros.




A GAFE #4 • Movimentos negros reagem à gafe de Lula  

Obs.: Notícia publicada pela Folha Online em 08/11/2003, às 08h00.

Coordenadores de três dos maiores movimentos negros brasileiros, Geledés, Movimento Negro Unificado e Fala Preta!, afirmaram ontem que o presidente Lula, assim como seus antecessores, ignora a realidade da África.
Por isso, disseram, fez um discurso generalizando o continente, como se todos os países que o compõem fossem pobres.
Ivonei Pires, coordenador do MNU (Movimento Negro Unificado), ressaltou que a característica mais conhecida da África, se não a única, é a pobreza. "A visão de Lula, um operário nordestino que chegou à
Presidência, é a mesma de Fernando Henrique Cardoso [ex-presidente], que é um sociólogo culto."
O deputado Luiz Alberto (PT-BA), que integra a comitiva de Lula, é o fundador do MNU.
Elizabeth Pinto, da Fala Preta!, afirmou que a ignorância sobre a África "é uma característica de vários chefes de Estado". Ela citou como exemplo o presidente norte-americano George W. Bush, que em uma entrevista concedida durante sua campanha à Presidência, em 2000, errou o nome de líderes mundiais e mostrou desconhecimento em relação à história recente de países de menos destaque no cenário mundial.
Suely Carneiro, do Geledés, instituição que participa do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência, classificou a frase de Lula de "lastimável". "O que ele disse é lastimável e absolutamente infeliz."
O presidente do Cert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade), Hédio Silva Júnior, se disse "perplexo" com a declaração do presidente.
"Estou absolutamente perplexo. Essa associação do negro à insalubridade é um ideário muito presente no discurso racista à brasileira. O que esperamos do presidente é que ele rompa com isso."

Defesa

Para a secretária-executiva do Ceap (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas), Maitê Ferreira da Silva, Lula não cometeu nenhuma gafe. Ela interpretou a declaração do presidente como "uma força de expressão".
"É um desejo que ele tem de ver a África igual àquele pedacinho [a Namíbia]", afirmou.
Segundo Ferreira da Silva, o presidente deseja ver toda a África "limpa, cheirosa e maravilhosa".
"Ele não está desmerecendo, está ousando, deslumbrando um belo futuro para africanos e brasileiros. Essa é a posição do Lula, e a demonstração mais forte é a exposição sobre a África, que está no [Centro Cultural] Banco do Brasil [no centro do Rio]", disse ela.
O presidente do Ilê-Aiyê --o mais tradicional bloco afro da Bahia--, Antonio Carlos dos Santos, o Vovô, 51, disse que faltou habilidade política ao presidente Lula em seu discurso na Namíbia.
"Pelo que disse, o presidente também pensa que os países africanos são focos de corrupção, miséria e endemias", disse Vovô.
Para o presidente do Ilê, Lula precisa ter mais "humildade" antes de disparar as suas críticas.
"Ele gosta de falar de improviso, mas não tem cultura suficiente para emitir certas opiniões."

Historiadores

Dois historiadores ouvidos pela Folha divergiram sobre a declaração do presidente.
A professora de história da África contemporânea da USP Leila Leite Hernandez disse que "a frase não é preconceituosa". Para ela, a frase chama a atenção para o fato de que existem várias Áfricas. "Uma delas é a que nos mostra a maior renda dessa região, que tem riqueza, que tem bolsões."
O professor Leandro Karnal, chefe do departamento de história da Unicamp, tem outra visão. "Lamento que o Lula tenha dito isso", disse ele.
Segundo Karnal, "essa frase nasce de um senso comum que associa a África a subdesenvolvimento, o mesmo senso comum que associa o Brasil à selva Amazônica". O professor, porém, ressalva: "Não sei se o contexto foi esse". "Uma frase fora do seu contexto diz pouca coisa."



A GAFE #3 • Radiobrás classifica gafe de Lula como "elogio ambíguo"  

Obs.: Notícia publicada pela Folha Online em 07/11/2003, às 20h19.

A Radiobrás (estatal de comunicação do governo) classificou como um "elogio ambíguo" a gafe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na África. Nesta tarde, em discurso na cidade de Windhoek, na Namíbia, ele afirmou que não parecia estar na África, por sua limpeza e arquitetura.
"Quem chega em Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e tem um povo tão extraordinário como tem essa cidade", disse Lula.
A Agência Brasil, serviço de notícias gratuito do governo federal, se referiu ao constrangimento da delegação brasileira causado pela declaração como "uma surpresa".
A reportagem afirma também que "o presidente preferiu improvisar, em vez de ler o discurso escrito para a ocasião, mas foi traído pelo cansaço da exaustiva jornada de visitas a cinco países africanos".



A GAFE #2 • Movimento negro da Bahia critica declaração de Lula na África  

Obs.: Notícia publicada na Folha Online em 7/11/2003, às 20h08.

LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Salvador

O MNU (Movimento Negro Unificado) da Bahia criticou duramente a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu discurso de despedida da Namíbia, hoje à tarde.
"Infelizmente, o presidente Lula tem uma visão preconceituosa do continente africano", disse o coordenador da entidade, Ivonei Pires, 37.
Em seu discurso de improviso, o presidente disse que "quem chega em Windhoek [capital da Namíbia] não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e tem um povo tão extraordinário como tem essa cidade".
Para Pires, Luiz Inácio Lula da Silva deveria buscar a ajuda de uma assessoria antes de emitir suas opiniões de improviso.
"A África não é um espelho para os demais países detectarem a pobreza, a miséria e as doenças. Para encontrar doença, pobreza e miséria, basta qualquer pessoa percorrer o Brasil", disse o coordenador do MNU.
Segundo Ivonei Pires, foram os "brancos" os responsáveis pela destruição da cultura africana.

Improviso

O presidente do Ilê-Aiyê --o mais tradicional bloco afro da Bahia--, Antonio Carlos dos Santos, o "Vovô", 51, disse que faltou habilidade política ao presidente Lula em seu discurso na Namíbia.
"Pelo que disse, o presidente também pensa que os países africanos são focos de corrupção, miséria e endemias. A realidade é bem diferente", disse Vovô.
Para o presidente do Ilê, Lula precisa ter mais "humildade" antes de disparar as suas críticas.
"Ele gosta muito de falar de improviso, mas não tem cultura suficiente para emitir certas opiniões. Para evitar bobagens, é melhor que leia os discursos", acrescentou.



A GAFE #1 • Namíbia é limpa e não parece África, diz Lula  

Obs.: notícia publicada na Folha Online em 07/11/2003, às 13h41.

DENIZE BACOCCINA
da BBC, na Namíbia

Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje, durante o discurso de despedida da viagem à Namíbia, provocou constrangimento na comitiva brasileira.
"Quem chega em Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e tem um povo tão extraordinário como tem essa cidade", disse Lula.
O discurso do presidente, que abriu mão de ler um texto mais formal para falar de improviso, foi traduzido do português para o inglês pelo tradutor da comitiva brasileira, que omitiu a palavra limpa e pulou para o comentário de Lula sobre a beleza da capital da Namíbia.
Diante do silêncio dos ministros e jornalistas que acompanham a visita oficial de Lula à África, o presidente tentou explicar o que quis dizer.
"A visão que se tem da América do Sul, e especialmente do Brasil, é que é um continente de índios pobres. E a visão que se tem da África é de um continente só de pobres, quando, na verdade, se não fosse o grande tempo de colonização e se não fossem as guerras internas, certamente os países africanos já teriam crescido de forma extraordinária", afirmou o presidente.

"Exemplo"

O discurso de Lula foi acompanhado por um comunicado conjunto com o presidente da Namíbia, Sam Nujoma, para marcar o fim da visita da delegação brasileira ao país.
Lula aproveitou a oportunidade para elogiar o governo namibiano e destacar a importância das negociações entre Brasil e Namíbia.
"Acho que a Namíbia é um exemplo extraordinário pela sua infra-estrutura, pelo combate à corrupção, pela democratização da política e pela dedicação do governo à parte mais pobre da população", disse o presidente.
De acordo com Lula, a África não precisa de favores, e sim de mais oportunidades, parcerias e que o "resto do mundo dê uma chance" à região - em uma referência aos apelos dos países em desenvolvimento por regras mais justas no comércio internacional.
"Vamos provar que não nascemos para ser pobres e podemos competir em igualdade de condições", afirmou.


This page is powered by Blogger. Isn't yours?