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sexta-feira, novembro 28, 2003


Lula comete gafe em encontro com atletas paraolímpicos  

Nota: Publicado pela Folha Online em 27/11/2003, às 19h16.


RICARDO MIGNONE
da Folha Online, em Brasília


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu mais uma gafe nesta quinta-feira, ao discursar para 54 atletas paraolímpicos que vão disputar os Jogos Para-panamericanos de Mar Del Plata, na Argentina.

A gafe ocorreu no início do discurso, de improviso, quando Lula comentou que estava com o pé doendo, mas que não podia mancar. "Eu estou com uma dor no pé e não posso nem mancar para a imprensa não dizer que eu estou mancando porque eu estou em um encontro com os companheiros portadores de deficiência", disse o presidente.

Lula torceu o pé esquerdo na última terça-feira (18), no Palácio da Alvorada. Ele foi medicado e imobilizou a perna. Devido ao acidente, chegou a cancelar alguns compromissos da agenda presidencial.

Repertório

Outras gafes semelhantes marcaram os discursos de Lula ao longo de seu primeiro ano de mandato. Na lista das gafes, citou mais de uma vez a palavra "loucos" durante discurso sobre o tratamento de doentes mentais, no Palácio do Planalto.

No mês passado, em viagem à África, afirmou em discurso que "não parecia que estava em um país africano", devido à limpeza.

Na Inglaterra, durante cerimônia de encerramento da reunião de cúpula da Governança Progressista --nova versão da Terceira Via-, Lula "demitiu" o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, ao dizer que ele não seria o anfitrião do próximo encontro. No entanto Blair pode ser reconduzido ao cargo.

"Daqui a dois ou três, possivelmente não sejamos muitos dos que estão aqui. Talvez sejam outros. E nem será o Tony Blair que estará convidando, será outra pessoa", disse.


quarta-feira, novembro 26, 2003


Às vezes, uma foto vale mais que mil palavras 





Silêncio na política, por José Sarney 

Nota: um artigo de, ora vejam só, José Sarney, que trata sobre a importância do silêncio, chegando à conclusão que, na política, o ideal é 'muito ouvir e pouco falar'. Publicado em http://an.uol.com.br/2001/abr/20/0opi.htm

Diz-se que, em política, a palavra é mais da metade da ação. E a palavra, embora escrita, nunca é ausente de som. Falar, transmitir idéias, defender atitudes, predicar, convencer fazem parte do cotidiano de um bom político. Assim, o silêncio seria a antítese da atividade política. Mas nem sempre é desse modo. Há momentos em que é de grande sabedoria o brocardo popular: "O silêncio é de ouro". Os livros sagrados estão cheios de recomendações sobre o "guardar a língua", afastando o perigo de pecar por "pensamentos" e "palavras".

O político que, nos tempos modernos, melhor utilizou o silêncio foi Mitterrand. O velho combatente socialista, obstinado e firme, falava pouco. Nunca nenhum presidente francês foi tão avaro de declarações como ele. Achava que só podia usar a palavra quando gerava consequência. Administrou o silêncio com tamanha maestria que os seus momentos mais criativos e eloquentes foram aqueles em que ficou calado.
Jânio Quadros falava o necessário, e geralmente para esconder o que pensava. Certa noite, estávamos em São Paulo, no Hotel Cambridge, e ele fazia uma avaliação da campanha presidencial de 1960. Concluiu que alguns líderes estavam falando demais e citou Carlos Lacerda. Emílio Carlos, fora da conversa, informou que Lacerda estava com problema na coluna, exatamente "bico-de-papagaio". Jânio repicou: "Ele está é com papagaio no bico".

Costa e Silva, ao encontrar-se com o presidente Nixon, depois dos cumprimentos formais, ficou calado, em grande silêncio. Um assessor perguntou-lhe preocupado: "O senhor está sentindo alguma coisa, presidente?" "Nada", respondeu, bonachão. "É que meu inglês já acabou."

Romain Rolland, no seu romance "Jean-Cristophe", constrói um personagem que possuía tanta compulsão à tagarelice que só gostava de ir a concertos de Wagner. E justificava: "A música dele é tão vibrante e alta que a gente pode conversar no teatro e ninguém nota".

Na literatura, a tagarelice é o barroco, a extensão das formas, o exercício dos detalhes a escrever sempre com um simpósio de adjetivos.

Agora, surgiu um novo estilo do anti-silêncio na política, a negação do Mitterrand: é Bush, o texano novo. Tem falado e tem dito tanta bobagem que seus marqueteiros criaram uma campanha de imagem na qual ele deve afirmar-se por gafes e, valha-nos Deus, com erros de inglês e de geografia. É uma técnica de imunização à tolice, a busca de uma fórmula eficaz da "auto-anulação". Vejamos esta preciosidade de Bush, no Gridirond Club, em contato com a imprensa: "Se você for rigoroso, vai pensar que o verbo 'está' deveria estar no plural, 'estão'. Estou usando o subjuntivo do intransitivo plural. Portanto a palavra 'está' estão correta!". Shakespeare deve tremer na cova!

É uma grande virtude saber escutar o silêncio. Há quarenta anos no Congresso, cheguei à conclusão de que ali deve ser, hoje, lugar de muito ouvir e de pouco falar.

José Sarney , senador (PMDB/AP), ex-presidente da República


segunda-feira, novembro 24, 2003


O BUSHISMO ESTÁ VIVO  

Nota: apenas para lembrar que, em matéria de gafe, o Lula não está sozinho... Publicado no site da IstoÉ Dinheiro, em http://www.terra.com.br/istoedinheiro/235/economia/235_bushismo_esta_vivo.htm

Bush repete o pai e brilha no Japão como humorista involuntário

Ivan Martins

Se é verdade que a política converteu-se em mero espetáculo, então George W. Bush, o presidente dos Estados Unidos, pode ser considerado o novo rei do riso – um comediante irrefreável, capaz de gerar espontaneamente aquela faísca de surpresa e constrangimento que faz a delícia da platéia. Na semana passada, em visita oficial ao Japão, o homem mais poderoso da Terra honrou a tradição familiar e não parou de tropeçar na própria língua. Seu pai, George Bush, desmaiou em 1992 durante um jantar com o primeiro-ministro japonês. Foi o momento mais baixo de uma viagem eleitoreira que pretendia mostrar o indeciso presidente como durão, capaz de arrancar concessões comerciais dos “amarelos”. O plano terminou com George Pai vomitando inconsciente com a cabeça amparada nas pernas de Kiichi Miyazawa. Perdeu a eleição para Bill Clinton. George Filho, que às vezes desmaia comendo pretzel, dessa vez poupou o cerimonial japonês, mas também fez das suas. No lance mais desastrado, confundiu deflação com desvalorização durante uma entrevista sobre economia e fez disparar o mercado internacional de moedas, que entendeu que o yene seria desvalorizado. Ao tentar ser simpático, comparou o primeiro-ministro Junichiro Koizumi a um astro do beisebol americano de origem japonesa: “Ele também rebate qualquer coisa que você atire nele”. Ha, ha.

A sucessão de gafes do jovem Bush, somadas à memorável dislexia do pai – que uma vez chegou a dizer que o povo americano sabia separar “o justo do injusto, o feio do infeio” –, resultou na criação de um termo novo, o bushismo. Ele designa, segundo o jornalista americano Mark Miller, autor do livro O (Dis) Léxico de Bush, “qualquer estupidez dita pelo pai ou pelo filho”. Que não são poucas. Na lista de Bush Filho estão pérolas como “os republicanos entendem a importância do cativeiro entre mãe e filho” e “cada vez mais nossas importações vêm do exterior”. Parece pouco? Que tal então “eles me malestimaram” (querendo dizer subestimaram) ou então “a família é onde as asas criam sonhos”. Seu pai, que confundia a geografia dos Estados americanos e era capaz de sentar à mesa antes da rainha da Inglaterra, tinha a ampará-lo alguma experiência internacional de primeira mão. O filho, nem isso. “Tenho boas relações com os grecianos”, disparou há dois anos.

Em um país acostumado ao charme dos Kennedy, ao industrialismo dos Ford e à vocação para a fortuna dos Rockefeller, deve ser estranho ter no poder um outro tipo de inclinação hereditária, a da batatada. É espantoso que um sujeito atrapalhado como Bush tenha vencido a corrida para a Casa Branca. Tudo sugere que o processo seletivo das eleições pregou uma peça nos americanos. Entregou a eles um humorista involuntário, que é o sonho dos cartunistas, em meio à maior crise econômica e diplomática das últimas décadas. Dias atrás circulou na internet um hilariante mapa mental de Bush Filho. Nele, o Oriente Médio é identificado apenas como “aqui tem Osama” e a Rússia pela inscrição “dizemos que somos amigos deles”. A piada é fabulosa, mas parece estar perto demais da verdade para que o mundo durma tranqüilo.




Escândalos políticos: parte do jogo? 

Nota: um artigo bastante interessante sobre o tema deste blog, publicado no Observatório da Imprensa.

Vera Chaia (*)

o cenário político contemporâneo, onde predomina uma sociedade midiática que faz do espetáculo sua maneira de ser, a política adquire um outro sentido, devendo se adaptar a esta nova forma social. A mídia, neste contexto, deve ser compreendida enquanto fonte geradora de sistemas de representação da realidade, utilizados seja para compreender a sociedade ou para acionar diferentes formas de ações.

Na nossa sociedade, onde a centralidade dos meios de comunicação é um fato, ocorre a adequação da política a estes meios. As lideranças políticas necessitam da mídia e conseguem se firmar nesta situação à medida que sua imagem é veiculada pela mídia. A publicização torna-se fundamental para deflagrar ou firmar qualquer carreira política. No entanto, este processo de publicização pode acarretar problemas para estas lideranças, pois a arena da política está mais exposta a riscos e os políticos não conseguem controlar a visibilidade e o poder da mídia.

Os caminhos políticos se abrem sob estas novas condições midiáticas, mas a vulnerabilidade das lideranças políticas também aumenta à medida que fatos políticos favoráveis ou não são publicizados. Várias colunas em jornais, programas de rádio e televisão são produzidos para divulgar não só as realizações destes políticos, mas suas gafes. Um exemplo deste tipo de programa foi a Crônica Indiscreta de Alexandre Garcia, veiculada pelo Fantástico da TV Globo, onde eram registrados todos os deslizes dos políticos, com acentuadas doses de ironia e de crítica.

A diferença entre personagem de vida pública e "ordinary people" é que no segundo caso os deslizes são perfeitamente perdoáveis e assimilados, mas para uma liderança política cometer uma gafe pode ser um erro político, às vezes irrecuperável na sua carreira política. Quem não se lembra da frase de Paulo Maluf: "estupra mas não mata"; idéia esta constantemente relembrada por seus inimigos políticos?

Atualmente estamos acompanhando a divulgação de uma série de escândalos políticos. Na sociedade contemporânea, com o poder da mídia, a vida privada destas lideranças ficou escancarada. Isto significa afirmar que não existem mais segredos particulares e nem "segredos de estado". Veja-se o caso dos "grampos" telefônicos feitos contra o próprio presidente da República e membros de seu governo (Caso BNDES).

Por que aparecem os escândalos políticos e quais as conseqüências para a vida política e social? O sociólogo John B. Thompson, professor da Universidade de Cambrigde, Inglaterra, construiu uma Teoria Social do Escândalo para apreender este fenômeno sóciopolítico. No caso específico desse país, esta problemática sempre esteve presente: lembremos do famoso Caso Profumo, um grande escândalo que agitou a vida política inglesa, e que envolveu um ministro que, indiscretamente, passou alguns segredos de Estado para uma prostituta. Atualmente outros escândalos estão aparecendo com a divulgação por um jornal sensacionalista inglês (The Sun) de nomes de ministros supostamente homossexuais.

O escândalo é aquele fenômeno que se traduz em ações que podem afetar a reputação de pessoas, ações ou eventos, supondo a existência de transgressões a valores, códigos morais que são levadas ao domínio público e que provocam reações. Os escândalos devem ser qualificados dependendo da sociedade em questão, pois valores e normas variam dependendo do contexto sóciopolítico. Neste sentido podemos classificar escândalos que envolvem: sexo/comportamento, financeiro/corrupção, e exercício do poder político/falta de decoro parlamentar.

Claro que ocorrem transgressões sem que estas se transformem em escândalos políticos. A simples suspeita de um escândalo pode desencadear um escândalo. E é neste sentido que a mídia exerce um papel importante, o de tornar público o escândalo, onde se expressa a desaprovação por aquela transgressão, oferecendo um campo profícuo para a articulação de um discurso moralizador e reprovador. O caso do escândalo sexual que envolveu o presidente Bill Clinton e a estagiária Monica Lewisnki se enquadra neste discurso moralizador e se transformou num grande escândalo político pela ação de um promotor republicano.

O que está em jogo não é somente a verdade, mas a reputação de indivíduos, que pode ser afetada irremediavelmente. Citemos a ação de forças opositoras (suspeitos o ex-governador Paulo Maluf e o ex-presidente Fernando Collor de Mello) ao atual governo que tentaram divulgar, nas últimas eleições, uma série de documentos que pressumivelmente comprovava a existência de uma conta bancária nas Ilhas Cayman (Dossiê Caribe) e que denunciava Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Mário Covas e Sérgio Mota, como possuidores desta conta em nome de uma empresa CH&J-T. Na divulgação destes documentos, a mídia foi muito cautelosa, pois envolvia altas lideranças políticas.

As reações ao escândalo são várias, desde a simples negação, até a alegação de calúnia, difamação. Raros são os casos de escândalos onde o acusado, não tendo outra saída, adota a confissão pública com o objetivo de contar com a compreensão das pessoas. Também aqui podemos citar o presidente Clinton, que teve sua vida sexual devassada e transmitida pelos canais de televisão através da divulgação de seu depoimento prestado nos tribunais americanos.

Porém nem todos os escândalos são assuntos midiáticos, explorados pela mídia. A quem interessam certos escândalos? A visibilidade midiática é utilizada para que certos grupos/pessoas alcancem certos objetivos: desmoralizar uma liderança, condenar um político, ‘matar’ um adversário, e por vingança. Na realidade estas lideranças ficam ‘presas’ nas descobertas da mídia, o que pode provocar um desfecho não premeditado pelos agentes desencadeadores e deflagradores do escândalo. Podemos citar dois exemplos desta situação, o caso do escândalo político do Watergate, que provocou a queda do presidente Nixon, e o nosso Collorgate, que também provocou o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello.

O papel desempenhado pela mídia na publicização do escândalo político também é reforçado pelos ‘espectadores’ que acompanham freneticamente e ansiosamente os passos e as descobertas da mídia ou das autoridades competentes sobre determinados acontecimentos/pessoas.

Quais são as conseqüências dos escândalos políticos? Claro que pessoas são envolvidas, reputações são questionadas, carreiras políticas podem ser destruídas. Porém o que mais nos chama a atenção é que, em determinadas situações, ocorre a quebra da confiança no papel de certas instituições. A mídia em alguns escândalos exagera em suas observações e avaliações, chegando a generalizar certas atitudes, como se toda a categoria dos políticos agisse de uma maneira comum. O político, em alguns momentos, é avaliado negativamente, e torna-se sinônimo de corrupção.

Neste sentido é que devem ser compreendidas as comissões de investigação, mas principalmente as Comissões Parlamentares de Inquérito, formadas para acompanhar os escândalos e, restaurar, à medida do desgaste político, a confiança nas instituições.

A democracia só se aprimora quando a liberdade de expressão é preservada e quando tais transgressões ou são punidas judicialmente ou são compreendidas pelos cidadãos.

Infelizmente, o escândalo político é um tema que nunca sai de pauta!

(*) Professora de Política da PUC/SP e pesquisadora do Neamp (Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política)



Lula quebra ritual da Presidência  

Publicado pela Folha Online em 24/11/2003, às 03h14.

Quebrando uma tradição do Palácio da Alvorada, a bandeira presidencial continuou hasteada no sábado, apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter passado todo o dia fora, em reunião com ministros do PT na Granja do Torto.

Normalmente, quando o presidente está na residência oficial, o Pavilhão Presidencial --a bandeira da Presidência- fica hasteado. A bandeira é retirada do mastro sempre que o presidente da República deixa o Alvorada.

É tradição o hasteamento da bandeira da Presidência em todos os locais públicos onde se encontra o presidente.

P.S. Essa matéria vale mais pela escolha do título que pelo conteúdo.


terça-feira, novembro 18, 2003


A negona do presidente 

Texto do colunista Luis Aureliano, do jornal O Tempo, publicado em 16/11/2003. Fonte: http://www.otempo.com.br/coluna.asp?edicao=16%2F11%2F2003&nome=aur

Imagine George W. Bush em visita a um país africano chamando Condoleeza Rice de "neguinha". O mundo viria abaixo e com razão. Não só porque o presidente norte-americano teria infringido regra do politicamente correto (o que em si não constituiria problema genuíno), mas em virtude da informalidade (indevida) que teria tomado nessa sua hipotética cerimônia pública.

Pois foi nada mais nada menos que isso o que aconteceu com o presidente Lula em sua recente visita à África. Referiu-se à Benedita como a "negona", dando-se o direito a esse tratamento como se a audiência fosse de amigos num botequim ou numa porta de fábrica.

Não é a primeira vez que Lula comete gafes deste tipo. Seus tropeços verbais estão se tornando mais frequentes e já justificam um besteirol à parte.

Toda a vez que Lula deixa de lado o que está escrito e improvisa, saem metáforas e comparações preconceituosas, quando não são ditos do gênero óbvio ululante.

Na Namíbia, depois do histórico tropeço de considerar a capital tão limpa que nem parecia que estava na África, Lula percebeu o erro e tentou emendar. Alegou que comumente os estrangeiros consideram o Brasil como "terra de índio". O tom foi claramente preconceituoso: então, índio é algo negativo?

Como tratar esses deslizes presidenciais? Olhá-los com condescendência, ignorando as deficiências educacionais do presidente ou, ao contrário, cobrar atenção e cuidado de Lula, que afinal nos representa a todos lá fora?

Lula é fora de dúvida pessoa de invulgar inteligência, mas carece de certo estofo educacional. Admitir este fato não significa deixar de reconhecer seus méritos intelectuais e pessoais. Afinal, filho de retirante nordestino, operário pobre e finalmente presidente da República, essa carreira e biografia falam por si sós. Lula não é um brasileiro comum.

Mas isso não lhe dá o direito de falar errado, sem que se lhe apontem a falha, ou que se justifique esse despreparo. A ministra Marina da Silva, lembrava-me um amigo cientista político e cultor da língua portuguesa, só se alfabetizou aos 14 anos, viveu em condições miseráveis, talvez até piores que as de Lula, mas fala um português irreprochável.

Vicentinho, líder sindical como o presidente, começou a estudar mais tarde e hoje quem vê e escuta suas intervenções na Câmara percebe a diferença positiva que os anos de estudo lhe fizeram.

Lula precisa ficar atento ao que diz, não só pelos erros de português, mas por essa informalidade que vem marcando suas últimas aparições públicas. Uma coisa é o que se fala entre amigos ou entre quatro paredes, outra o que se fala em público.

Fernando Henrique, apesar de sua bagagem intelectual, também andou pisando na bola neste quesito. Não poucas vezes, por vaidade ou por outros motivos, andou perpetrando declarações estapafúrdias.

Um homem público é alvo de todos os ouvidos e olhos em seu país e às vezes até pelos estrangeiros. Não é fácil passar incólume por este teste. Mais cedo ou mais tarde acabará tropicando nas palavras.

Mas Lula está superando a quota de besteirol que lhe compete como homem público sob permanente escrutínio. Precisa ser menos informal, mais presidente e menos orador e líder de porta de fábrica, com todo o respeito que essa figura merece.

A linguagem de um não serve para o outro, pelo menos quando se está em salões oficiais aqui e no exterior.







Presidente Lula, o campeão das gafes  

Publicado pela versão online do jornal russo Pravda, em http://port.pravda.ru/brasil/2003/11/12/3506.html

Em 11 meses de governo, uma das áreas em que o governo petista mais se destaca é na produção das gafes. É o espetáculo dos tropeços, estrelado no exterior ou no Brasil pelo presidente Lula, para desespero dos diplomatas brasileiros e assessores do PT. Para a deputada Yeda Crusius (PSDB-RS), os deslizes revelam a verdadeira face de Lula "quando não está vestido pelo marketing palaciano". Na edição de hoje, relembramos as principais pérolas do presidente.

Na Presidência, Lula ainda age como metalúrgico

"O presidente Lula deveria ficar mais tempo calado. Além de não cultivar a liturgia que seu cargo exige, suas gafes já estão se tornando folclóricas". A constatação é da deputada Yeda Crusius (PSDB-RS). Ela se referia a tropeços do petista, como o da última sexta-feira - quando ele afirmou ser a Namíbia mais limpa que os demais países africanos - e que "mostram como Lula realmente é."

"COITADISMO" - Para Yeda, o presidente está visivelmente contrariado com os resultados negativos de seu governo, o que se reflete em suas desastrosas falas de improviso. "Além disso, Lula insiste em apelar para suas raízes humildes e se esquece que não é mais um metalúrgico, mas sim um presidente da República. Ele deve parar com esse 'coitadismo', em que a falta de oportunidade de estudo é vista como desígnio divino ou destino dos mais pobres", afirmou Yeda. Ela crê que ainda que Lula sente-se desconfortável no papel de presidente e usa as viagens nacionais e internacionais como "válvula de escape para suas bobagens".

11 meses de tropeços, gafes e "pérolas" de Lula presidente

"Quando se aposentarem, não fiquem em casa atrapalhando a família. Procurem alguma coisa para fazer, para tornar seu dia prazeroso."
- Durante a cerimônia de sanção do Estatuto do Idoso, em outubro de 2003.

"Muitos presidentes antes de mim foram covardes e não tiveram coragem de fazer aquilo que deveria ser feito."
- Em discurso em Campina Grande, em outubro de 2003.

"Daqui a dois anos, possivelmente não sejamos muitos do que estão aqui. E nem será o Tony Blair que estará convidando, será outra pessoa."
- Inglaterra, em julho de 2003, durante reunião da Governança

"Estou surpreso porque quem chega a Windhoek [capital da Namíbia] nem parece estar num país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas."
- Em visita oficial à África, em novembro de 2003.

"Há males que vêm para o bem."
- Ao tentar encontrar - ao contrário de todos os brasileiros - algum aspecto positivo na tragédia que matou 21 cientistas na Base de Alcântara, em setembro de 2003.

"Ela engravidou no primeiro dia de casamento, porque pernambucano não deixa por menos."
- Constrangendo a primeira-dama e compartilhando com a nação detalhes de sua intimidade, em julho de 2003.

"Quando Napoleão visitou a China, ele cunhou uma frase que ficou famosa. Ele disse: A China é um gigante adormecido. No dia em que acordar, o mundo vai tremer."
- Revolucionando a História e inventando um episódio que nunca ocorreu, em maio de 2003.

"Se tem uma coisa que eu admiro nos Estados Unidos é que eles pensam primeiro neles, em segundo neles e em terceiro neles também. Se sobrar tempo, pensam um pouco neles outra vez. Nos oito anos do governo FHC, não houve um único gesto político ou econômico que ajudasse o Brasil."
- Sobre o "companheiro" George Bush, em gesto de descortesia imperdoável entre chefes de Estado de duas nações amigas, em julho de 2003.






Ministros petistas lideram ranking de mancadas do governo  

Publicado pela Folha Online em 11/10/2003, às 12h00

Se o critério para reformular o ministério for a quantidade de "tropeços" nos últimos dez meses, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficará menos petista na futura reforma ministerial.

Dos 34 ministros que ocupam pastas de primeiro escalão, 20 são do PT, partido do presidente. Desses, pelo menos quatro têm o cargo ameaçado e outros dois podem ser remanejados. A saída ou "mudança de lugar" deles deixariam vagos "espaços nobres" para o PMDB, o último aliado, que aguarda para entrar no governo.

Além do vínculo pela legenda, os ministros que ocupam essa faixa comandam as chamadas "pastas sociais", vitrine da gestão petista. O dilema nessa área também fez com que Lula pensasse em outra fórmula de gerência, nomeando a cientista política Ana Fonseca para coordenar a unificação dos programas sociais.

Puxam a fila Benedita da Silva (Assistência e Promoção Social), José Graziano (Segurança Alimentar), Cristovam Buarque (Educação) e Humberto Costa (Saúde). E podem mudar de cargo Guido Mantega (Planejamento), considerado um "curinga" pela cúpula governista, e Olívio Dutra (Cidades).

Além dos petistas, Anderson Adauto (Transportes) e Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia) correm o risco de deixar os gabinetes. Adauto porque enfrenta denúncias de envolvimento em suposto esquema de desvio de recursos na Prefeitura de Iturama (MG), e Amaral porque tem desempenho considerado fraco pela cúpula governista.

Ambos também desagradaram ao governo ao cometerem gafes logo que assumiram seus cargos. Adauto demonstrou desconhecimento de sua pasta ao anunciar a suspensão de licitações no valor de R$ 5 bilhões quando a cifra não chegava a R$ 1 bilhão, e Amaral gerou desconforto internacional pela admissão --depois negada-- de que o Brasil deveria dominar a tecnologia para bombas nucleares.

Mancada

O caso mais recente das "mancadas" dos ministros petistas foi de Benedita da Silva. A ex-governadora do Rio, cuja pasta nunca teve muitos poderes, causou constrangimentos ao governo ao viajar, no último dia 24 de setembro, para participar de um encontro com evangélicos em Buenos Aires (Argentina), com despesas pagas pela União.

O caso dividiu a cúpula governista. De um lado, o presidente Lula saiu em defesa dela afirmando se tratar de um "erro administrativo". Do outro, ministros como o chefe da Controladoria Geral da União, Waldir Pires, afirmam que ela deve devolver o dinheiro gasto no 12º Café da Manhã Anual da Oração --um evento religioso, portanto, de natureza pessoal.

Língua solta

Outros dois ministros, titulares de pastas importantes, Humberto Costa (Saúde) e Cristovam Buarque (Educação), geraram turbulências por criticarem abertamente o governo.

No mês passado, Humberto Costa criticou um item sobre planos de saúde presente no Estatuto do Idoso, minutos depois de Lula discursar na cerimônia de lançamento. Em seguida, divulgou nota tentando amenizar as declarações. E, no dia seguinte, acabou repreendido pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu.

O caso de Buarque também ganhou forte repercussão. Após sucessivas críticas ao aperto orçamentário para sua pasta, afirmou em entrevista ao diário espanhol "El País" que "não seria ministro a qualquer preço" e "que ainda é preciso elaborar o que é o 'lulismo' no país".

Fome Zero

O titular do Mesa (Ministério de Segurança Alimentar), José Graziano, que ainda conduz o Fome Zero, carro-chefe e bandeira de campanha de Lula, acumula críticas, que se acentuaram com a dificuldade de implementação do programa.

Além disso, é lembrado até hoje pela gafe que cometeu em fevereiro, durante palestra na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado do São Paulo), quando fez uma relação entre a violência e a migração nordestina: "Temos de criar emprego lá [Nordeste], (...) porque, se eles continuarem vindo pra cá, vamos ter de continuar andando de carro blindado".




Gafes também marcaram discursos de Lula  

Publicado pela Folha Online em 11/10/2003, às 12h02

Assim como boa parte dos seus ministros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também cometeu uma série de gafes, a maioria delas em decorrência de falar de improviso, durante seus dez meses de governo.

Apesar de geralmente agradar às platéias com seus discursos populares, Lula chegou a dizer coisas sem sentido e fazer diferentes afirmações óbvias.

Em maio, por exemplo, ao defender as reformas em pronunciamento aos prefeitos do país, em Aracaju, disse que "todo mundo tem o direito de ser contra, a favor ou muito pelo contrário". No mesmo mês, durante missa do 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), afirmou que, "na vida de um ser humano, acontecem muitas coisas que normalmente ele não prevê que vão acontecer".

Outra frase óbvia foi dita durante reunião com governadores do país, em Rio Branco (AC): "No Brasil inteiro, todo mundo fala o português, do Oiapoque ao Chuí". Na mesma cidade disse: "À medida que a gente vai tendo acesso à saúde, a dentista, a gente vai percebendo que não há ninguém 100% feio nem ninguém 100% bonito. Ou seja, todo mundo pode ser melhorado".

Na lista das gafes, citou mais de uma vez a palavra "loucos" durante discurso sobre o tratamento de doentes mentais, no Palácio do Planalto.

Na Inglaterra, durante cerimônia de encerramento da reunião de cúpula da Governança Progressista --nova versão da Terceira Via-, Lula "demitiu" o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, ao dizer que ele não seria o anfitrião do próximo encontro. No entanto Blair pode ser reconduzido ao cargo.

"Daqui a dois ou três, possivelmente não sejamos muitos dos que estão aqui. Talvez sejam outros. E nem será o Tony Blair que estará convidando, será outra pessoa", disse.

As frases de Lula, aliás, já chegaram a gerar constrangimentos ao presidente com o Congresso Nacional. Em junho, Lula disse: "Nada, nem chuva, nem geada, nem terremoto, não tem cara feia, não tem nem o Congresso, nem o Poder Judiciário, só Deus seria capaz de impedir que a gente faça este país ocupar um lugar de destaque, que ele nunca deveria ter deixado de ocupar".

As declarações foram interpretadas como ofensivas pelos congressistas. No dia seguinte, Lula convocou os presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para um pronunciamento conjunto, afirmando que não havia se referido às reformas e que fora mal interpretado.




Presidente relembra seu slogan de 1989  

Publicado pela Folha Online em 18/11/2003, às 06h13.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viveu ontem um dia atípico. Foi entrevistado por crianças, reclamou do desempenho da seleção brasileira, tirou fotos com a máquina dos fotógrafos e até deu comida às carpas do espelho d'água do Itamaraty.

No fim da manhã, depois de discursar no seminário do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), quando o menino João Pedro Pinheiro, 13, lhe pediu uma frase para o painel "O que dizer ao povo da América Latina e do Caribe?", Lula escreveu a frase "sem medo de ser feliz" e assinou embaixo.

A frase escrita por Lula foi criada pelo publicitário Carlito Maia, um dos fundadores do PT, e usada pelo então candidato petista na campanha de 89. Maia, que morreu em junho de 2002, é autor de outros slogans do partido, como "oPTei" e "Lula-lá".

João Pedro perguntou a Lula o que ele pretende fazer para melhorar a vida das novas gerações. "Logo depois da vitória, disse que, se, ao fim do meu mandato, cada brasileiro fizesse três refeições por dia, já valeria a pena a eleição. Mas não basta isso. Temos que governar para que nossos filhos vivam melhor do que nossos pais e nossos avós, com mais educação e mais saúde", disse Lula ao garoto.

No início da tarde, antes do almoço, o presidente conversou descontraidamente sobre futebol com fotógrafos e cinegrafistas que o aguardavam no Palácio do Itamaraty, onde almoçaria com o presidente da República Dominicana. Disse que a seleção brasileira deu "vexame" no jogo contra o Peru. Depois pegou uma câmera e fotografou os interlocutores.

Na saída do Itamaraty, deu pão às carpas. Beijou e abraçou três ginastas adolescentes e sua treinadora, que o aguardavam.

"Fiquei muito emocionada", disse Letícia Ccusz, de 14 anos. Após as fotos com Lula, as adolescentes, que eram de Joinville (SC) e estavam em Brasília participando dos Jogos da Juventude, correram em direção a um orelhão para narrar aos pais sua aventura. Ao voltar para o Palácio do Planalto, o presidente também cumprimentou cerca de 40 crianças de uma escola estadual de Goiás que visitavam o edifício.


quinta-feira, novembro 13, 2003


Enquete 

A Folha Online está fazendo uma enquete sobre a gafe de Lula na África. Para participar, clique aqui.




quarta-feira, novembro 12, 2003


Erra pouco, mas erra 

Dulci diz que governo Lula "erra pouco"



Publicado na Folha Online em 10/11/2003, às 21h08.

O ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) afirmou hoje que a gestão Lula tem "errado pouco", mas que, quando isso acontece, o governo reconhece os erros e os corrige. Ele se referia ao caso do recadastramento dos aposentados do INSS com mais de 90 anos, fato que causou constrangimentos.
"Comparando com outros governos, temos errado pouco, mas, quando erramos, reconhecemos, sem nenhum tipo de constrangimento, e corrigimos o erro. O ministro Berzoini [Ricardo Berzoini, da pasta da Previdência] reconheceu que existia o erro e corrigiu", disse Dulci, que negou haver inexperiência no governo petista.
Sobre a gafe cometida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Namíbia, na semana passada, quando o presidente disse que Windhoek nem parecia uma cidade africana por ser "limpa e bonita arquitetonicamente", Dulci minimizou o episódio.
"A intenção do presidente, pelo que eu pude perceber, foi elogiar a cidade muito bonita que ele encontrou", afirmou o ministro, que é um dos responsáveis por preparar os discursos do presidente em solenidades em que Lula participa.
"A viagem do presidente à África teve resultados muito bons", disse ele, acrescentando: "Essa viagem teve um alto significado histórico, cultural, porque, durante décadas, os governos brasileiros viraram as costas para a África, e metade da população brasileira é de origem africana. Então, a viagem do presidente Lula à África cumpriu o seu objetivo e deve ser motivo de orgulho para os brasileiros".

Lula pede que Cristovam encontre solução para excepcionais.



Publicado no Estadão Online em 12/11/2003, às 00h04.

O governo anunciou que encontrará, até sexta-feira, uma solução para garantir o repasse de R$ 8,7 milhões às entidades sem fim lucrativos que tratam de excepcionais. O ministro da Educação, Cristovam Buarque, contou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "lamenta muito" e está "angustiado até" por ter vetado projeto que previa repasses do Fundef, o fundo de desenvolvmento do ensino fundamental, a um "programa que beneficia aqueles que tanto precisam que são os portadores de deficiência". Mas, esclareceu, a lei proíbe transferir dinheiro do Fundef a entidades privadas.

O presidente Lula fez questão de se justificar e evitar novo desgate da imagem do governo, trincada com o escândalo da suspensão de pagamento de aposentadorias aos velhos com mais de 90 anos, sem prévio aviso. O veto neste caso era obrigatório. Mas, para sustentar o veto, o presidente usou argumento do Ministério da Fazenda de que a aprovação do projeto comprometeria "todo o ajuste fiscal perseguido no processo de regularização das contas públicas do País".




segunda-feira, novembro 10, 2003


A GAFE #8 (no exterior) A Gaffe in Africa 

Obs.: Divulgado pela Reuters e publicado pelo Yahoo News em 10/11/2003, às 10h51.


WINDHOEK, Namibia (Reuters) - Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva's efforts to befriend Africa hit a jarring note when he praised Namibia's capital city as being so clean it didn't seem African.

Lula, who presents himself as a champion of the world's poor, was speaking Friday in Windhoek on the fourth leg of an African tour.

"I'm surprised because if you arrive in Windhoek, it doesn't seem like you're in an African country. Few cities of the world are so clean and beautiful as Windhoek," said Lula, flanked by Namibian President, Sam Nujoma, as he said farewell to the country.

Lula's African tour has taken him to Sao Tome and Principe, Angola and Mozambique. He is also to visit South Africa.



A GAFE #7 (no exterior) Brazilians upset by Lula's 'clean SA' remark 

Obs.: Publicado no IOL (http://www.iol.co.za/), um grupo de mídia da África do Sul, em 9/11/2003, às 9h27.

Brazilian President Lula da Silva has upset blacks at home with his remarks that South Africa is much cleaner and more beautiful than the other African countries he has just visited.

Da Silva left South Africa on Saturday after talks with President Thabo Mbeki at the end of an Africa tour which also took him to Sao Tome and Principe, Angola, Mozambique and Namibia.

At a joint press conference with Mbeki in Pretoria on Saturday, a Brazilian journalist asked Lula to comment on his remarks which she said had been strongly criticised by black groups back in Brazil.

Da Silva was unrepentant, telling the journalist "you followed me around Africa and saw the difference". He suggested his critics come to Africa and see the difference among African countries - because "maybe they will not criticise me any more."

'You followed me around Africa and saw the difference'

But he also said his remarks had been misunderstood. What he meant was that some countries had managed to maintain peace for longer, giving them the opportunity to rebuild. Few countries had had the good fortune of a Mandela to take over the country after such a long period of oppression of blacks, he said.

Da Silva said on his first visit to South Africa in 1994, before he became president, he had been struck most by the fact that where there was a black cabinet minister, there was a white deputy and vice versa. That kind of policy making had allowed the country to advance much further than others, he said.

Da Silva confirmed that Brazil - the current holders of the soccer World Cup - would support South Africa's current bid to host the 2010 cup. "On one condition, that you don't expect us to lose," he quipped.

Asked if he would reciprocate by supporting Brazil's bid for a permanent seat on the United Nations Security Council, Mbeki demurred, saying that Latin American countries had agreed they should get a permanent seat on an expanded council.

But it was up to the Latin American countries to decide which country should get the seat, Mbeki said. He added that if Brazil were represented permanently on the council, it would make it more representative and better able to respond to the needs of the countries of the South.

'On one condition, that you don't expect us to lose'

South Africa and Brazil signed two formal agreements yesterday; one to avoid double taxation between the two countries and another to boost scientific and technical co-operation between them.

The presidents expressed the unacceptability of developing countries being subjected to protectionist measures by developed countries and said they would expand their co-operation to advance the interests of the developing world, especially in international trade negotiations and on the India/Brazil/South Africa Forum (Ibsa) signed in June.

They also agreed to increase co-operation in defence and measures to combat health epidemics such as HIV and Aids, waterborne diseases, malaria and dengue.



A GAFE #5 • Lula diz que deixa África com a alma limpa  

Obs.: Notícia publicada pela Folha Online em 08/11/2003, às 14h15.

Depois de sete dias de viagem pela continente africano, onde visitou cinco países desde o último sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que deixa a África com a "alma mais limpa e a sensação do dever cumprido".
Lula garantiu que conseguiu colocar em prática a promessa de campanha de intensificar as relações do Brasil com a África. "Fiquei muito feliz quando o nosso embaixador nos comunicou que, em 11 meses de governo, vieram mais ministros e personalidades brasileiras que nos últimos quatro anos que me antecederam", afirmou.
O presidente ressaltou que o governo brasileiro está fazendo o que acreditava "antes, durante e depois" da campanha eleitoral no campo internacional. E prometeu que vai continuar com o trabalho de aproximar do Brasil mercados importantes para a economia do país, como a Índia, a China e a Rússia.
"Nesse mundo em que os países já têm suas cartas marcadas e o domínio das coisas importantes que valem no mercado, é extremamente saudável, e política e economicamente correto, que juntemos todos os países que têm similaridade e, juntos, procuremos estabelecer ação para fazer valer os interesses dos países em desenvolvimento", ressaltou.

Gafe

Em resposta aos comentários de que teria cometido ontem uma gafe ao dizer que Windhoek, capital da Namíbia, era tão limpa e bonita que nem parecia a África, o presidente afirmou não ter dito nada de mais: "Constatei o óbvio", disse em entrevista.
"Nem tudo que nós falamos é entendido do jeito que nós gostaríamos que fosse entendido pelas pessoas. Vocês [jornalistas brasileiros] estiveram comigo na viagem. Vocês viram a diferença de cada cidade, de cada rua. Eu constatei apenas o óbvio", defendeu-se.
"Acho que as pessoas que me criticam, em vez de teorizar, deveriam fazer uma visita pela África para ver as diferenças dentro dos países. Aí quem sabe eles não dirão mais nada", afirmou o presidente sobre as críticas que recebeu da oposição e de movimentos negros.




A GAFE #4 • Movimentos negros reagem à gafe de Lula  

Obs.: Notícia publicada pela Folha Online em 08/11/2003, às 08h00.

Coordenadores de três dos maiores movimentos negros brasileiros, Geledés, Movimento Negro Unificado e Fala Preta!, afirmaram ontem que o presidente Lula, assim como seus antecessores, ignora a realidade da África.
Por isso, disseram, fez um discurso generalizando o continente, como se todos os países que o compõem fossem pobres.
Ivonei Pires, coordenador do MNU (Movimento Negro Unificado), ressaltou que a característica mais conhecida da África, se não a única, é a pobreza. "A visão de Lula, um operário nordestino que chegou à
Presidência, é a mesma de Fernando Henrique Cardoso [ex-presidente], que é um sociólogo culto."
O deputado Luiz Alberto (PT-BA), que integra a comitiva de Lula, é o fundador do MNU.
Elizabeth Pinto, da Fala Preta!, afirmou que a ignorância sobre a África "é uma característica de vários chefes de Estado". Ela citou como exemplo o presidente norte-americano George W. Bush, que em uma entrevista concedida durante sua campanha à Presidência, em 2000, errou o nome de líderes mundiais e mostrou desconhecimento em relação à história recente de países de menos destaque no cenário mundial.
Suely Carneiro, do Geledés, instituição que participa do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência, classificou a frase de Lula de "lastimável". "O que ele disse é lastimável e absolutamente infeliz."
O presidente do Cert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade), Hédio Silva Júnior, se disse "perplexo" com a declaração do presidente.
"Estou absolutamente perplexo. Essa associação do negro à insalubridade é um ideário muito presente no discurso racista à brasileira. O que esperamos do presidente é que ele rompa com isso."

Defesa

Para a secretária-executiva do Ceap (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas), Maitê Ferreira da Silva, Lula não cometeu nenhuma gafe. Ela interpretou a declaração do presidente como "uma força de expressão".
"É um desejo que ele tem de ver a África igual àquele pedacinho [a Namíbia]", afirmou.
Segundo Ferreira da Silva, o presidente deseja ver toda a África "limpa, cheirosa e maravilhosa".
"Ele não está desmerecendo, está ousando, deslumbrando um belo futuro para africanos e brasileiros. Essa é a posição do Lula, e a demonstração mais forte é a exposição sobre a África, que está no [Centro Cultural] Banco do Brasil [no centro do Rio]", disse ela.
O presidente do Ilê-Aiyê --o mais tradicional bloco afro da Bahia--, Antonio Carlos dos Santos, o Vovô, 51, disse que faltou habilidade política ao presidente Lula em seu discurso na Namíbia.
"Pelo que disse, o presidente também pensa que os países africanos são focos de corrupção, miséria e endemias", disse Vovô.
Para o presidente do Ilê, Lula precisa ter mais "humildade" antes de disparar as suas críticas.
"Ele gosta de falar de improviso, mas não tem cultura suficiente para emitir certas opiniões."

Historiadores

Dois historiadores ouvidos pela Folha divergiram sobre a declaração do presidente.
A professora de história da África contemporânea da USP Leila Leite Hernandez disse que "a frase não é preconceituosa". Para ela, a frase chama a atenção para o fato de que existem várias Áfricas. "Uma delas é a que nos mostra a maior renda dessa região, que tem riqueza, que tem bolsões."
O professor Leandro Karnal, chefe do departamento de história da Unicamp, tem outra visão. "Lamento que o Lula tenha dito isso", disse ele.
Segundo Karnal, "essa frase nasce de um senso comum que associa a África a subdesenvolvimento, o mesmo senso comum que associa o Brasil à selva Amazônica". O professor, porém, ressalva: "Não sei se o contexto foi esse". "Uma frase fora do seu contexto diz pouca coisa."



A GAFE #3 • Radiobrás classifica gafe de Lula como "elogio ambíguo"  

Obs.: Notícia publicada pela Folha Online em 07/11/2003, às 20h19.

A Radiobrás (estatal de comunicação do governo) classificou como um "elogio ambíguo" a gafe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na África. Nesta tarde, em discurso na cidade de Windhoek, na Namíbia, ele afirmou que não parecia estar na África, por sua limpeza e arquitetura.
"Quem chega em Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e tem um povo tão extraordinário como tem essa cidade", disse Lula.
A Agência Brasil, serviço de notícias gratuito do governo federal, se referiu ao constrangimento da delegação brasileira causado pela declaração como "uma surpresa".
A reportagem afirma também que "o presidente preferiu improvisar, em vez de ler o discurso escrito para a ocasião, mas foi traído pelo cansaço da exaustiva jornada de visitas a cinco países africanos".



A GAFE #2 • Movimento negro da Bahia critica declaração de Lula na África  

Obs.: Notícia publicada na Folha Online em 7/11/2003, às 20h08.

LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Salvador

O MNU (Movimento Negro Unificado) da Bahia criticou duramente a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu discurso de despedida da Namíbia, hoje à tarde.
"Infelizmente, o presidente Lula tem uma visão preconceituosa do continente africano", disse o coordenador da entidade, Ivonei Pires, 37.
Em seu discurso de improviso, o presidente disse que "quem chega em Windhoek [capital da Namíbia] não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e tem um povo tão extraordinário como tem essa cidade".
Para Pires, Luiz Inácio Lula da Silva deveria buscar a ajuda de uma assessoria antes de emitir suas opiniões de improviso.
"A África não é um espelho para os demais países detectarem a pobreza, a miséria e as doenças. Para encontrar doença, pobreza e miséria, basta qualquer pessoa percorrer o Brasil", disse o coordenador do MNU.
Segundo Ivonei Pires, foram os "brancos" os responsáveis pela destruição da cultura africana.

Improviso

O presidente do Ilê-Aiyê --o mais tradicional bloco afro da Bahia--, Antonio Carlos dos Santos, o "Vovô", 51, disse que faltou habilidade política ao presidente Lula em seu discurso na Namíbia.
"Pelo que disse, o presidente também pensa que os países africanos são focos de corrupção, miséria e endemias. A realidade é bem diferente", disse Vovô.
Para o presidente do Ilê, Lula precisa ter mais "humildade" antes de disparar as suas críticas.
"Ele gosta muito de falar de improviso, mas não tem cultura suficiente para emitir certas opiniões. Para evitar bobagens, é melhor que leia os discursos", acrescentou.



A GAFE #1 • Namíbia é limpa e não parece África, diz Lula  

Obs.: notícia publicada na Folha Online em 07/11/2003, às 13h41.

DENIZE BACOCCINA
da BBC, na Namíbia

Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje, durante o discurso de despedida da viagem à Namíbia, provocou constrangimento na comitiva brasileira.
"Quem chega em Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e tem um povo tão extraordinário como tem essa cidade", disse Lula.
O discurso do presidente, que abriu mão de ler um texto mais formal para falar de improviso, foi traduzido do português para o inglês pelo tradutor da comitiva brasileira, que omitiu a palavra limpa e pulou para o comentário de Lula sobre a beleza da capital da Namíbia.
Diante do silêncio dos ministros e jornalistas que acompanham a visita oficial de Lula à África, o presidente tentou explicar o que quis dizer.
"A visão que se tem da América do Sul, e especialmente do Brasil, é que é um continente de índios pobres. E a visão que se tem da África é de um continente só de pobres, quando, na verdade, se não fosse o grande tempo de colonização e se não fossem as guerras internas, certamente os países africanos já teriam crescido de forma extraordinária", afirmou o presidente.

"Exemplo"

O discurso de Lula foi acompanhado por um comunicado conjunto com o presidente da Namíbia, Sam Nujoma, para marcar o fim da visita da delegação brasileira ao país.
Lula aproveitou a oportunidade para elogiar o governo namibiano e destacar a importância das negociações entre Brasil e Namíbia.
"Acho que a Namíbia é um exemplo extraordinário pela sua infra-estrutura, pelo combate à corrupção, pela democratização da política e pela dedicação do governo à parte mais pobre da população", disse o presidente.
De acordo com Lula, a África não precisa de favores, e sim de mais oportunidades, parcerias e que o "resto do mundo dê uma chance" à região - em uma referência aos apelos dos países em desenvolvimento por regras mais justas no comércio internacional.
"Vamos provar que não nascemos para ser pobres e podemos competir em igualdade de condições", afirmou.


sábado, novembro 08, 2003


Palavras do presidente 

Não era bem aquilo



"A gente não tem que ficar reclamando o que não foi feito. A gente tem que começar a discutir o que fazer a partir de agora pois, senão, daqui a algum tempo outro entra e vai reclamar do que não fizemos."

(31/10/2003, um dia depois de ter chamado antecessores de "covardes".)

Covardes



"Cheguei à Presidência para fazer as coisas que precisavam ser feitas e que muitos presidentes antes de mim foram covardes e não tiveram coragem de fazer."

(30/10/2003, em discurso em Campina Grande, na Paraíba.)

Fonte: Estadão Online


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