terça-feira, novembro 18, 2003
A negona do presidente
Texto do colunista Luis Aureliano, do jornal O Tempo, publicado em 16/11/2003. Fonte: http://www.otempo.com.br/coluna.asp?edicao=16%2F11%2F2003&nome=aur
Imagine George W. Bush em visita a um país africano chamando Condoleeza Rice de "neguinha". O mundo viria abaixo e com razão. Não só porque o presidente norte-americano teria infringido regra do politicamente correto (o que em si não constituiria problema genuíno), mas em virtude da informalidade (indevida) que teria tomado nessa sua hipotética cerimônia pública.
Pois foi nada mais nada menos que isso o que aconteceu com o presidente Lula em sua recente visita à África. Referiu-se à Benedita como a "negona", dando-se o direito a esse tratamento como se a audiência fosse de amigos num botequim ou numa porta de fábrica.
Não é a primeira vez que Lula comete gafes deste tipo. Seus tropeços verbais estão se tornando mais frequentes e já justificam um besteirol à parte.
Toda a vez que Lula deixa de lado o que está escrito e improvisa, saem metáforas e comparações preconceituosas, quando não são ditos do gênero óbvio ululante.
Na Namíbia, depois do histórico tropeço de considerar a capital tão limpa que nem parecia que estava na África, Lula percebeu o erro e tentou emendar. Alegou que comumente os estrangeiros consideram o Brasil como "terra de índio". O tom foi claramente preconceituoso: então, índio é algo negativo?
Como tratar esses deslizes presidenciais? Olhá-los com condescendência, ignorando as deficiências educacionais do presidente ou, ao contrário, cobrar atenção e cuidado de Lula, que afinal nos representa a todos lá fora?
Lula é fora de dúvida pessoa de invulgar inteligência, mas carece de certo estofo educacional. Admitir este fato não significa deixar de reconhecer seus méritos intelectuais e pessoais. Afinal, filho de retirante nordestino, operário pobre e finalmente presidente da República, essa carreira e biografia falam por si sós. Lula não é um brasileiro comum.
Mas isso não lhe dá o direito de falar errado, sem que se lhe apontem a falha, ou que se justifique esse despreparo. A ministra Marina da Silva, lembrava-me um amigo cientista político e cultor da língua portuguesa, só se alfabetizou aos 14 anos, viveu em condições miseráveis, talvez até piores que as de Lula, mas fala um português irreprochável.
Vicentinho, líder sindical como o presidente, começou a estudar mais tarde e hoje quem vê e escuta suas intervenções na Câmara percebe a diferença positiva que os anos de estudo lhe fizeram.
Lula precisa ficar atento ao que diz, não só pelos erros de português, mas por essa informalidade que vem marcando suas últimas aparições públicas. Uma coisa é o que se fala entre amigos ou entre quatro paredes, outra o que se fala em público.
Fernando Henrique, apesar de sua bagagem intelectual, também andou pisando na bola neste quesito. Não poucas vezes, por vaidade ou por outros motivos, andou perpetrando declarações estapafúrdias.
Um homem público é alvo de todos os ouvidos e olhos em seu país e às vezes até pelos estrangeiros. Não é fácil passar incólume por este teste. Mais cedo ou mais tarde acabará tropicando nas palavras.
Mas Lula está superando a quota de besteirol que lhe compete como homem público sob permanente escrutínio. Precisa ser menos informal, mais presidente e menos orador e líder de porta de fábrica, com todo o respeito que essa figura merece.
A linguagem de um não serve para o outro, pelo menos quando se está em salões oficiais aqui e no exterior.
Imagine George W. Bush em visita a um país africano chamando Condoleeza Rice de "neguinha". O mundo viria abaixo e com razão. Não só porque o presidente norte-americano teria infringido regra do politicamente correto (o que em si não constituiria problema genuíno), mas em virtude da informalidade (indevida) que teria tomado nessa sua hipotética cerimônia pública.
Pois foi nada mais nada menos que isso o que aconteceu com o presidente Lula em sua recente visita à África. Referiu-se à Benedita como a "negona", dando-se o direito a esse tratamento como se a audiência fosse de amigos num botequim ou numa porta de fábrica.
Não é a primeira vez que Lula comete gafes deste tipo. Seus tropeços verbais estão se tornando mais frequentes e já justificam um besteirol à parte.
Toda a vez que Lula deixa de lado o que está escrito e improvisa, saem metáforas e comparações preconceituosas, quando não são ditos do gênero óbvio ululante.
Na Namíbia, depois do histórico tropeço de considerar a capital tão limpa que nem parecia que estava na África, Lula percebeu o erro e tentou emendar. Alegou que comumente os estrangeiros consideram o Brasil como "terra de índio". O tom foi claramente preconceituoso: então, índio é algo negativo?
Como tratar esses deslizes presidenciais? Olhá-los com condescendência, ignorando as deficiências educacionais do presidente ou, ao contrário, cobrar atenção e cuidado de Lula, que afinal nos representa a todos lá fora?
Lula é fora de dúvida pessoa de invulgar inteligência, mas carece de certo estofo educacional. Admitir este fato não significa deixar de reconhecer seus méritos intelectuais e pessoais. Afinal, filho de retirante nordestino, operário pobre e finalmente presidente da República, essa carreira e biografia falam por si sós. Lula não é um brasileiro comum.
Mas isso não lhe dá o direito de falar errado, sem que se lhe apontem a falha, ou que se justifique esse despreparo. A ministra Marina da Silva, lembrava-me um amigo cientista político e cultor da língua portuguesa, só se alfabetizou aos 14 anos, viveu em condições miseráveis, talvez até piores que as de Lula, mas fala um português irreprochável.
Vicentinho, líder sindical como o presidente, começou a estudar mais tarde e hoje quem vê e escuta suas intervenções na Câmara percebe a diferença positiva que os anos de estudo lhe fizeram.
Lula precisa ficar atento ao que diz, não só pelos erros de português, mas por essa informalidade que vem marcando suas últimas aparições públicas. Uma coisa é o que se fala entre amigos ou entre quatro paredes, outra o que se fala em público.
Fernando Henrique, apesar de sua bagagem intelectual, também andou pisando na bola neste quesito. Não poucas vezes, por vaidade ou por outros motivos, andou perpetrando declarações estapafúrdias.
Um homem público é alvo de todos os ouvidos e olhos em seu país e às vezes até pelos estrangeiros. Não é fácil passar incólume por este teste. Mais cedo ou mais tarde acabará tropicando nas palavras.
Mas Lula está superando a quota de besteirol que lhe compete como homem público sob permanente escrutínio. Precisa ser menos informal, mais presidente e menos orador e líder de porta de fábrica, com todo o respeito que essa figura merece.
A linguagem de um não serve para o outro, pelo menos quando se está em salões oficiais aqui e no exterior.
Presidente Lula, o campeão das gafes
Publicado pela versão online do jornal russo Pravda, em http://port.pravda.ru/brasil/2003/11/12/3506.html
Em 11 meses de governo, uma das áreas em que o governo petista mais se destaca é na produção das gafes. É o espetáculo dos tropeços, estrelado no exterior ou no Brasil pelo presidente Lula, para desespero dos diplomatas brasileiros e assessores do PT. Para a deputada Yeda Crusius (PSDB-RS), os deslizes revelam a verdadeira face de Lula "quando não está vestido pelo marketing palaciano". Na edição de hoje, relembramos as principais pérolas do presidente.
Na Presidência, Lula ainda age como metalúrgico
"O presidente Lula deveria ficar mais tempo calado. Além de não cultivar a liturgia que seu cargo exige, suas gafes já estão se tornando folclóricas". A constatação é da deputada Yeda Crusius (PSDB-RS). Ela se referia a tropeços do petista, como o da última sexta-feira - quando ele afirmou ser a Namíbia mais limpa que os demais países africanos - e que "mostram como Lula realmente é."
"COITADISMO" - Para Yeda, o presidente está visivelmente contrariado com os resultados negativos de seu governo, o que se reflete em suas desastrosas falas de improviso. "Além disso, Lula insiste em apelar para suas raízes humildes e se esquece que não é mais um metalúrgico, mas sim um presidente da República. Ele deve parar com esse 'coitadismo', em que a falta de oportunidade de estudo é vista como desígnio divino ou destino dos mais pobres", afirmou Yeda. Ela crê que ainda que Lula sente-se desconfortável no papel de presidente e usa as viagens nacionais e internacionais como "válvula de escape para suas bobagens".
11 meses de tropeços, gafes e "pérolas" de Lula presidente
"Quando se aposentarem, não fiquem em casa atrapalhando a família. Procurem alguma coisa para fazer, para tornar seu dia prazeroso."
- Durante a cerimônia de sanção do Estatuto do Idoso, em outubro de 2003.
"Muitos presidentes antes de mim foram covardes e não tiveram coragem de fazer aquilo que deveria ser feito."
- Em discurso em Campina Grande, em outubro de 2003.
"Daqui a dois anos, possivelmente não sejamos muitos do que estão aqui. E nem será o Tony Blair que estará convidando, será outra pessoa."
- Inglaterra, em julho de 2003, durante reunião da Governança
"Estou surpreso porque quem chega a Windhoek [capital da Namíbia] nem parece estar num país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas."
- Em visita oficial à África, em novembro de 2003.
"Há males que vêm para o bem."
- Ao tentar encontrar - ao contrário de todos os brasileiros - algum aspecto positivo na tragédia que matou 21 cientistas na Base de Alcântara, em setembro de 2003.
"Ela engravidou no primeiro dia de casamento, porque pernambucano não deixa por menos."
- Constrangendo a primeira-dama e compartilhando com a nação detalhes de sua intimidade, em julho de 2003.
"Quando Napoleão visitou a China, ele cunhou uma frase que ficou famosa. Ele disse: A China é um gigante adormecido. No dia em que acordar, o mundo vai tremer."
- Revolucionando a História e inventando um episódio que nunca ocorreu, em maio de 2003.
"Se tem uma coisa que eu admiro nos Estados Unidos é que eles pensam primeiro neles, em segundo neles e em terceiro neles também. Se sobrar tempo, pensam um pouco neles outra vez. Nos oito anos do governo FHC, não houve um único gesto político ou econômico que ajudasse o Brasil."
- Sobre o "companheiro" George Bush, em gesto de descortesia imperdoável entre chefes de Estado de duas nações amigas, em julho de 2003.
Em 11 meses de governo, uma das áreas em que o governo petista mais se destaca é na produção das gafes. É o espetáculo dos tropeços, estrelado no exterior ou no Brasil pelo presidente Lula, para desespero dos diplomatas brasileiros e assessores do PT. Para a deputada Yeda Crusius (PSDB-RS), os deslizes revelam a verdadeira face de Lula "quando não está vestido pelo marketing palaciano". Na edição de hoje, relembramos as principais pérolas do presidente.
Na Presidência, Lula ainda age como metalúrgico
"O presidente Lula deveria ficar mais tempo calado. Além de não cultivar a liturgia que seu cargo exige, suas gafes já estão se tornando folclóricas". A constatação é da deputada Yeda Crusius (PSDB-RS). Ela se referia a tropeços do petista, como o da última sexta-feira - quando ele afirmou ser a Namíbia mais limpa que os demais países africanos - e que "mostram como Lula realmente é."
"COITADISMO" - Para Yeda, o presidente está visivelmente contrariado com os resultados negativos de seu governo, o que se reflete em suas desastrosas falas de improviso. "Além disso, Lula insiste em apelar para suas raízes humildes e se esquece que não é mais um metalúrgico, mas sim um presidente da República. Ele deve parar com esse 'coitadismo', em que a falta de oportunidade de estudo é vista como desígnio divino ou destino dos mais pobres", afirmou Yeda. Ela crê que ainda que Lula sente-se desconfortável no papel de presidente e usa as viagens nacionais e internacionais como "válvula de escape para suas bobagens".
11 meses de tropeços, gafes e "pérolas" de Lula presidente
"Quando se aposentarem, não fiquem em casa atrapalhando a família. Procurem alguma coisa para fazer, para tornar seu dia prazeroso."
- Durante a cerimônia de sanção do Estatuto do Idoso, em outubro de 2003.
"Muitos presidentes antes de mim foram covardes e não tiveram coragem de fazer aquilo que deveria ser feito."
- Em discurso em Campina Grande, em outubro de 2003.
"Daqui a dois anos, possivelmente não sejamos muitos do que estão aqui. E nem será o Tony Blair que estará convidando, será outra pessoa."
- Inglaterra, em julho de 2003, durante reunião da Governança
"Estou surpreso porque quem chega a Windhoek [capital da Namíbia] nem parece estar num país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas."
- Em visita oficial à África, em novembro de 2003.
"Há males que vêm para o bem."
- Ao tentar encontrar - ao contrário de todos os brasileiros - algum aspecto positivo na tragédia que matou 21 cientistas na Base de Alcântara, em setembro de 2003.
"Ela engravidou no primeiro dia de casamento, porque pernambucano não deixa por menos."
- Constrangendo a primeira-dama e compartilhando com a nação detalhes de sua intimidade, em julho de 2003.
"Quando Napoleão visitou a China, ele cunhou uma frase que ficou famosa. Ele disse: A China é um gigante adormecido. No dia em que acordar, o mundo vai tremer."
- Revolucionando a História e inventando um episódio que nunca ocorreu, em maio de 2003.
"Se tem uma coisa que eu admiro nos Estados Unidos é que eles pensam primeiro neles, em segundo neles e em terceiro neles também. Se sobrar tempo, pensam um pouco neles outra vez. Nos oito anos do governo FHC, não houve um único gesto político ou econômico que ajudasse o Brasil."
- Sobre o "companheiro" George Bush, em gesto de descortesia imperdoável entre chefes de Estado de duas nações amigas, em julho de 2003.
Ministros petistas lideram ranking de mancadas do governo
Publicado pela Folha Online em 11/10/2003, às 12h00
Se o critério para reformular o ministério for a quantidade de "tropeços" nos últimos dez meses, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficará menos petista na futura reforma ministerial.
Dos 34 ministros que ocupam pastas de primeiro escalão, 20 são do PT, partido do presidente. Desses, pelo menos quatro têm o cargo ameaçado e outros dois podem ser remanejados. A saída ou "mudança de lugar" deles deixariam vagos "espaços nobres" para o PMDB, o último aliado, que aguarda para entrar no governo.
Além do vínculo pela legenda, os ministros que ocupam essa faixa comandam as chamadas "pastas sociais", vitrine da gestão petista. O dilema nessa área também fez com que Lula pensasse em outra fórmula de gerência, nomeando a cientista política Ana Fonseca para coordenar a unificação dos programas sociais.
Puxam a fila Benedita da Silva (Assistência e Promoção Social), José Graziano (Segurança Alimentar), Cristovam Buarque (Educação) e Humberto Costa (Saúde). E podem mudar de cargo Guido Mantega (Planejamento), considerado um "curinga" pela cúpula governista, e Olívio Dutra (Cidades).
Além dos petistas, Anderson Adauto (Transportes) e Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia) correm o risco de deixar os gabinetes. Adauto porque enfrenta denúncias de envolvimento em suposto esquema de desvio de recursos na Prefeitura de Iturama (MG), e Amaral porque tem desempenho considerado fraco pela cúpula governista.
Ambos também desagradaram ao governo ao cometerem gafes logo que assumiram seus cargos. Adauto demonstrou desconhecimento de sua pasta ao anunciar a suspensão de licitações no valor de R$ 5 bilhões quando a cifra não chegava a R$ 1 bilhão, e Amaral gerou desconforto internacional pela admissão --depois negada-- de que o Brasil deveria dominar a tecnologia para bombas nucleares.
Mancada
O caso mais recente das "mancadas" dos ministros petistas foi de Benedita da Silva. A ex-governadora do Rio, cuja pasta nunca teve muitos poderes, causou constrangimentos ao governo ao viajar, no último dia 24 de setembro, para participar de um encontro com evangélicos em Buenos Aires (Argentina), com despesas pagas pela União.
O caso dividiu a cúpula governista. De um lado, o presidente Lula saiu em defesa dela afirmando se tratar de um "erro administrativo". Do outro, ministros como o chefe da Controladoria Geral da União, Waldir Pires, afirmam que ela deve devolver o dinheiro gasto no 12º Café da Manhã Anual da Oração --um evento religioso, portanto, de natureza pessoal.
Língua solta
Outros dois ministros, titulares de pastas importantes, Humberto Costa (Saúde) e Cristovam Buarque (Educação), geraram turbulências por criticarem abertamente o governo.
No mês passado, Humberto Costa criticou um item sobre planos de saúde presente no Estatuto do Idoso, minutos depois de Lula discursar na cerimônia de lançamento. Em seguida, divulgou nota tentando amenizar as declarações. E, no dia seguinte, acabou repreendido pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu.
O caso de Buarque também ganhou forte repercussão. Após sucessivas críticas ao aperto orçamentário para sua pasta, afirmou em entrevista ao diário espanhol "El País" que "não seria ministro a qualquer preço" e "que ainda é preciso elaborar o que é o 'lulismo' no país".
Fome Zero
O titular do Mesa (Ministério de Segurança Alimentar), José Graziano, que ainda conduz o Fome Zero, carro-chefe e bandeira de campanha de Lula, acumula críticas, que se acentuaram com a dificuldade de implementação do programa.
Além disso, é lembrado até hoje pela gafe que cometeu em fevereiro, durante palestra na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado do São Paulo), quando fez uma relação entre a violência e a migração nordestina: "Temos de criar emprego lá [Nordeste], (...) porque, se eles continuarem vindo pra cá, vamos ter de continuar andando de carro blindado".
Se o critério para reformular o ministério for a quantidade de "tropeços" nos últimos dez meses, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficará menos petista na futura reforma ministerial.
Dos 34 ministros que ocupam pastas de primeiro escalão, 20 são do PT, partido do presidente. Desses, pelo menos quatro têm o cargo ameaçado e outros dois podem ser remanejados. A saída ou "mudança de lugar" deles deixariam vagos "espaços nobres" para o PMDB, o último aliado, que aguarda para entrar no governo.
Além do vínculo pela legenda, os ministros que ocupam essa faixa comandam as chamadas "pastas sociais", vitrine da gestão petista. O dilema nessa área também fez com que Lula pensasse em outra fórmula de gerência, nomeando a cientista política Ana Fonseca para coordenar a unificação dos programas sociais.
Puxam a fila Benedita da Silva (Assistência e Promoção Social), José Graziano (Segurança Alimentar), Cristovam Buarque (Educação) e Humberto Costa (Saúde). E podem mudar de cargo Guido Mantega (Planejamento), considerado um "curinga" pela cúpula governista, e Olívio Dutra (Cidades).
Além dos petistas, Anderson Adauto (Transportes) e Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia) correm o risco de deixar os gabinetes. Adauto porque enfrenta denúncias de envolvimento em suposto esquema de desvio de recursos na Prefeitura de Iturama (MG), e Amaral porque tem desempenho considerado fraco pela cúpula governista.
Ambos também desagradaram ao governo ao cometerem gafes logo que assumiram seus cargos. Adauto demonstrou desconhecimento de sua pasta ao anunciar a suspensão de licitações no valor de R$ 5 bilhões quando a cifra não chegava a R$ 1 bilhão, e Amaral gerou desconforto internacional pela admissão --depois negada-- de que o Brasil deveria dominar a tecnologia para bombas nucleares.
Mancada
O caso mais recente das "mancadas" dos ministros petistas foi de Benedita da Silva. A ex-governadora do Rio, cuja pasta nunca teve muitos poderes, causou constrangimentos ao governo ao viajar, no último dia 24 de setembro, para participar de um encontro com evangélicos em Buenos Aires (Argentina), com despesas pagas pela União.
O caso dividiu a cúpula governista. De um lado, o presidente Lula saiu em defesa dela afirmando se tratar de um "erro administrativo". Do outro, ministros como o chefe da Controladoria Geral da União, Waldir Pires, afirmam que ela deve devolver o dinheiro gasto no 12º Café da Manhã Anual da Oração --um evento religioso, portanto, de natureza pessoal.
Língua solta
Outros dois ministros, titulares de pastas importantes, Humberto Costa (Saúde) e Cristovam Buarque (Educação), geraram turbulências por criticarem abertamente o governo.
No mês passado, Humberto Costa criticou um item sobre planos de saúde presente no Estatuto do Idoso, minutos depois de Lula discursar na cerimônia de lançamento. Em seguida, divulgou nota tentando amenizar as declarações. E, no dia seguinte, acabou repreendido pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu.
O caso de Buarque também ganhou forte repercussão. Após sucessivas críticas ao aperto orçamentário para sua pasta, afirmou em entrevista ao diário espanhol "El País" que "não seria ministro a qualquer preço" e "que ainda é preciso elaborar o que é o 'lulismo' no país".
Fome Zero
O titular do Mesa (Ministério de Segurança Alimentar), José Graziano, que ainda conduz o Fome Zero, carro-chefe e bandeira de campanha de Lula, acumula críticas, que se acentuaram com a dificuldade de implementação do programa.
Além disso, é lembrado até hoje pela gafe que cometeu em fevereiro, durante palestra na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado do São Paulo), quando fez uma relação entre a violência e a migração nordestina: "Temos de criar emprego lá [Nordeste], (...) porque, se eles continuarem vindo pra cá, vamos ter de continuar andando de carro blindado".
Gafes também marcaram discursos de Lula
Publicado pela Folha Online em 11/10/2003, às 12h02
Assim como boa parte dos seus ministros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também cometeu uma série de gafes, a maioria delas em decorrência de falar de improviso, durante seus dez meses de governo.
Apesar de geralmente agradar às platéias com seus discursos populares, Lula chegou a dizer coisas sem sentido e fazer diferentes afirmações óbvias.
Em maio, por exemplo, ao defender as reformas em pronunciamento aos prefeitos do país, em Aracaju, disse que "todo mundo tem o direito de ser contra, a favor ou muito pelo contrário". No mesmo mês, durante missa do 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), afirmou que, "na vida de um ser humano, acontecem muitas coisas que normalmente ele não prevê que vão acontecer".
Outra frase óbvia foi dita durante reunião com governadores do país, em Rio Branco (AC): "No Brasil inteiro, todo mundo fala o português, do Oiapoque ao Chuí". Na mesma cidade disse: "À medida que a gente vai tendo acesso à saúde, a dentista, a gente vai percebendo que não há ninguém 100% feio nem ninguém 100% bonito. Ou seja, todo mundo pode ser melhorado".
Na lista das gafes, citou mais de uma vez a palavra "loucos" durante discurso sobre o tratamento de doentes mentais, no Palácio do Planalto.
Na Inglaterra, durante cerimônia de encerramento da reunião de cúpula da Governança Progressista --nova versão da Terceira Via-, Lula "demitiu" o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, ao dizer que ele não seria o anfitrião do próximo encontro. No entanto Blair pode ser reconduzido ao cargo.
"Daqui a dois ou três, possivelmente não sejamos muitos dos que estão aqui. Talvez sejam outros. E nem será o Tony Blair que estará convidando, será outra pessoa", disse.
As frases de Lula, aliás, já chegaram a gerar constrangimentos ao presidente com o Congresso Nacional. Em junho, Lula disse: "Nada, nem chuva, nem geada, nem terremoto, não tem cara feia, não tem nem o Congresso, nem o Poder Judiciário, só Deus seria capaz de impedir que a gente faça este país ocupar um lugar de destaque, que ele nunca deveria ter deixado de ocupar".
As declarações foram interpretadas como ofensivas pelos congressistas. No dia seguinte, Lula convocou os presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para um pronunciamento conjunto, afirmando que não havia se referido às reformas e que fora mal interpretado.
Assim como boa parte dos seus ministros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também cometeu uma série de gafes, a maioria delas em decorrência de falar de improviso, durante seus dez meses de governo.
Apesar de geralmente agradar às platéias com seus discursos populares, Lula chegou a dizer coisas sem sentido e fazer diferentes afirmações óbvias.
Em maio, por exemplo, ao defender as reformas em pronunciamento aos prefeitos do país, em Aracaju, disse que "todo mundo tem o direito de ser contra, a favor ou muito pelo contrário". No mesmo mês, durante missa do 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), afirmou que, "na vida de um ser humano, acontecem muitas coisas que normalmente ele não prevê que vão acontecer".
Outra frase óbvia foi dita durante reunião com governadores do país, em Rio Branco (AC): "No Brasil inteiro, todo mundo fala o português, do Oiapoque ao Chuí". Na mesma cidade disse: "À medida que a gente vai tendo acesso à saúde, a dentista, a gente vai percebendo que não há ninguém 100% feio nem ninguém 100% bonito. Ou seja, todo mundo pode ser melhorado".
Na lista das gafes, citou mais de uma vez a palavra "loucos" durante discurso sobre o tratamento de doentes mentais, no Palácio do Planalto.
Na Inglaterra, durante cerimônia de encerramento da reunião de cúpula da Governança Progressista --nova versão da Terceira Via-, Lula "demitiu" o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, ao dizer que ele não seria o anfitrião do próximo encontro. No entanto Blair pode ser reconduzido ao cargo.
"Daqui a dois ou três, possivelmente não sejamos muitos dos que estão aqui. Talvez sejam outros. E nem será o Tony Blair que estará convidando, será outra pessoa", disse.
As frases de Lula, aliás, já chegaram a gerar constrangimentos ao presidente com o Congresso Nacional. Em junho, Lula disse: "Nada, nem chuva, nem geada, nem terremoto, não tem cara feia, não tem nem o Congresso, nem o Poder Judiciário, só Deus seria capaz de impedir que a gente faça este país ocupar um lugar de destaque, que ele nunca deveria ter deixado de ocupar".
As declarações foram interpretadas como ofensivas pelos congressistas. No dia seguinte, Lula convocou os presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para um pronunciamento conjunto, afirmando que não havia se referido às reformas e que fora mal interpretado.
Presidente relembra seu slogan de 1989
Publicado pela Folha Online em 18/11/2003, às 06h13.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viveu ontem um dia atípico. Foi entrevistado por crianças, reclamou do desempenho da seleção brasileira, tirou fotos com a máquina dos fotógrafos e até deu comida às carpas do espelho d'água do Itamaraty.
No fim da manhã, depois de discursar no seminário do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), quando o menino João Pedro Pinheiro, 13, lhe pediu uma frase para o painel "O que dizer ao povo da América Latina e do Caribe?", Lula escreveu a frase "sem medo de ser feliz" e assinou embaixo.
A frase escrita por Lula foi criada pelo publicitário Carlito Maia, um dos fundadores do PT, e usada pelo então candidato petista na campanha de 89. Maia, que morreu em junho de 2002, é autor de outros slogans do partido, como "oPTei" e "Lula-lá".
João Pedro perguntou a Lula o que ele pretende fazer para melhorar a vida das novas gerações. "Logo depois da vitória, disse que, se, ao fim do meu mandato, cada brasileiro fizesse três refeições por dia, já valeria a pena a eleição. Mas não basta isso. Temos que governar para que nossos filhos vivam melhor do que nossos pais e nossos avós, com mais educação e mais saúde", disse Lula ao garoto.
No início da tarde, antes do almoço, o presidente conversou descontraidamente sobre futebol com fotógrafos e cinegrafistas que o aguardavam no Palácio do Itamaraty, onde almoçaria com o presidente da República Dominicana. Disse que a seleção brasileira deu "vexame" no jogo contra o Peru. Depois pegou uma câmera e fotografou os interlocutores.
Na saída do Itamaraty, deu pão às carpas. Beijou e abraçou três ginastas adolescentes e sua treinadora, que o aguardavam.
"Fiquei muito emocionada", disse Letícia Ccusz, de 14 anos. Após as fotos com Lula, as adolescentes, que eram de Joinville (SC) e estavam em Brasília participando dos Jogos da Juventude, correram em direção a um orelhão para narrar aos pais sua aventura. Ao voltar para o Palácio do Planalto, o presidente também cumprimentou cerca de 40 crianças de uma escola estadual de Goiás que visitavam o edifício.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viveu ontem um dia atípico. Foi entrevistado por crianças, reclamou do desempenho da seleção brasileira, tirou fotos com a máquina dos fotógrafos e até deu comida às carpas do espelho d'água do Itamaraty.
No fim da manhã, depois de discursar no seminário do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), quando o menino João Pedro Pinheiro, 13, lhe pediu uma frase para o painel "O que dizer ao povo da América Latina e do Caribe?", Lula escreveu a frase "sem medo de ser feliz" e assinou embaixo.
A frase escrita por Lula foi criada pelo publicitário Carlito Maia, um dos fundadores do PT, e usada pelo então candidato petista na campanha de 89. Maia, que morreu em junho de 2002, é autor de outros slogans do partido, como "oPTei" e "Lula-lá".
João Pedro perguntou a Lula o que ele pretende fazer para melhorar a vida das novas gerações. "Logo depois da vitória, disse que, se, ao fim do meu mandato, cada brasileiro fizesse três refeições por dia, já valeria a pena a eleição. Mas não basta isso. Temos que governar para que nossos filhos vivam melhor do que nossos pais e nossos avós, com mais educação e mais saúde", disse Lula ao garoto.
No início da tarde, antes do almoço, o presidente conversou descontraidamente sobre futebol com fotógrafos e cinegrafistas que o aguardavam no Palácio do Itamaraty, onde almoçaria com o presidente da República Dominicana. Disse que a seleção brasileira deu "vexame" no jogo contra o Peru. Depois pegou uma câmera e fotografou os interlocutores.
Na saída do Itamaraty, deu pão às carpas. Beijou e abraçou três ginastas adolescentes e sua treinadora, que o aguardavam.
"Fiquei muito emocionada", disse Letícia Ccusz, de 14 anos. Após as fotos com Lula, as adolescentes, que eram de Joinville (SC) e estavam em Brasília participando dos Jogos da Juventude, correram em direção a um orelhão para narrar aos pais sua aventura. Ao voltar para o Palácio do Planalto, o presidente também cumprimentou cerca de 40 crianças de uma escola estadual de Goiás que visitavam o edifício.

